quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Carta Aberta a quem vai votar SIM (II)

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2007.01.28

Na passada semana, tentei dissecar alguns argumentos que defendem o voto no "NÃO", no referendo à despenalização da IVG no próximo dia 11 de Fevereiro. Esta semana continuarei a sistematizar mais dois pontos de vista sobre esta temática.
4º "Uma mudança na lei acabará - ou reduzirá drasticamente - os abortos clandestinos". Não sendo possível saber, seria necessário saber qual o tempo de gestação médio dos abortos clandestinos para poder afirmar isso com segurança. Para além das dez semanas continuará a haver abortos clandestinos a menos que queiram alargar o prazo para dez, doze, dezasseis... até que nenhum aborto seja clandestino, mesmo aos oito meses.
5º "Nenhuma mulher realiza um aborto de ânimo leve". Isso não é, sequer, um argumento. Há mulheres que molestam e matam os filhos e atiram bebés para as lixeiras.
Se o "Sim" ganhar, o aborto clandestino não acabará, a penalização do aborto, a partir das dez semanas, permanecerá e continuarão os julgamentos de mulheres. A sociedade vai descansar sobre o assunto, as consciências vão ficar mais tranquilas e questões como a sexualidade responsável, a contracepção e a educação sexual vão passar para último plano da agenda política. Ao mesmo tempo, todo um conjunto de problemas vão acumular aos que já existem (aspectos logísticos relacionados com os serviços públicos de saúde, listas de espera, etc).
O "NÃO" vencendo, é exequível diminuir o aborto clandestino com campanhas de informação que expliquem às mulheres que não tenham medo de recorrer ao hospital ou ao seu médico de família. Há muitas situações em que o aborto pode ser realizado legalmente, designadamente aquelas relacionadas com aspectos psicológicos, que a actual lei prevê. As mulheres que recorrem ao aborto por desespero terão a ajuda do médico e, se for justificável, o aborto será realizado dentro da lei. As mulheres que recorrem ao aborto levianamente continuarão a ser impedidas legalmente de o fazer.
Sabia que: Não há mulheres detidas pelo crime de aborto em Portugal; em 2005 realizaram-se 906 abortos legais em Portugal; em 2005 houve 73 casos, e não milhares, de mulheres atendidas na sequência de abortos clandestinos; o número de abortos clandestinos está calculado em 1800 por ano; 62% dos abortos realizados em países europeus com legislação semelhante à pretendida em Portugal, são realizados por mulheres com rendimentos familiares superiores a 65.000 euros por ano; 6% dos abortos realizados em países europeus com legislação semelhante à pretendida em Portugal, são realizados por mulheres com rendimentos familiares inferiores a 7000 euros; em todo o mundo, o aborto sem invocar qualquer razão é permitido em 22 de um total de 193 países; a pílula do dia seguinte é comercializada em Portugal desde 1999, sem necessidade de receita médica. É dispensada gratuitamente em centros de saúde desde 1 de Dezembro de 2005; a taxa de natalidade em Portugal baixou para metade nos últimos 40 anos; em 2005, a média de filhos por casal foi de 1,5, tendo-se registado apenas 109.000 nascimentos, permanecendo abaixo do nível de renovação das gerações (2,1); em 2006, a Alemanha aprovou um incentivo à natalidade de 25 mil euros por cada nascimento. Acha que é preciso liberalizar a IVG em Portugal?
( Fonte: Maria Clara Assunção; http://nao-obrigada.org/ ; http://www.assimnao.org/ )
Concluindo: Pense bem antes de votar. O "NÃO" é um sinal de que os portugueses não se demitem das suas responsabilidades; é um sinal claro de que queremos uma sociedade melhor, de que escolhemos o certo em detrimento do fácil; o NÃO, não é uma condenação a mulheres desesperadas; é uma mensagem de esperança em que é possível fazer melhor do isto. Vote em consciência e com informação. Eu vou votar "NÃO" e tenho a consciência muito tranquila.

domingo, 21 de janeiro de 2007

Carta Aberta a quem vai votar SIM (I)

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, HOJE, DIA 2007.01.21

Nas próximas semanas, e até ao referendo a favor da Vida (alguns teimam ser a favor da morte), irei sistematizar alguns argumentos pelo Direito à Vida.

Foi recentemente votada, na Assembleia da República, a pergunta a colocar aos portugueses, no próximo referendo ao aborto no dia 11 de Fevereiro. A pergunta será: «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»

Existem, certamente, muitas pessoas que vão votar "Não" porque são insensíveis aos problemas sociais e humanos do aborto clandestino, tal como existem muitas pessoas que vão votar "Sim" porque são insensíveis ao direito à vida do feto. Não é a nenhuma dessas pessoas que esta mensagem se dirige porque essas pessoas não têm consciência moral a que se possa fazer apelo. Esta mensagem é dirigida a todas aquelas pessoas que, repudiando a liberalização do aborto, estão a pensar votar no referendo por razões humanitárias: aborto clandestino, situações dramáticas diversas. Pessoas sensíveis aos problemas dos outros e, portanto, de espírito suficientemente disponível para procurar soluções. Vejamos os argumentos do “Sim”:

1º “O problema do aborto clandestino em Portugal é dramático”. Ninguém o nega, mas esse drama é usado demagogicamente por aqueles que querem liberalizá-lo sem esclarecer muitos aspectos. Algumas questões: esses abortos clandestinos são feitos em situações que a despenalização até às dez semanas iria evitar? Quantos abortos clandestinos são realizados depois das dez semanas? Quantos abortos clandestinos poderiam, na verdade, ter sido praticados no actual quadro legal? As mulheres recorrem ao aborto clandestino porque ele é proibido ou porque têm medo de perder o anonimato se forem ao hospital? Será que as campanhas pró-liberalização não têm contribuído para criar um clima de medo que leva as mulheres a evitar o hospital em situações em que o aborto seria autorizado?

2º “A lei portuguesa é a mais restritiva da Europa”. É uma mentira descarada e desonesta! Quem argumenta isso, aproveita-se do facto de a maioria das pessoas não procurar informar-se sobre o assunto. A lei portuguesa é tão restritiva como a espanhola. Porque é que em Espanha se fazem abortos a pedido? Por duas razões: A primeira: em Espanha criaram-se clínicas especializadas em abortos que têm equipas médicas multi-disciplinares destinadas, apenas, a assegurar que todos os casos previstos na lei se "encaixam" nos casos pedidos (à falta de melhor, a razão de carácter psicológico serve para tudo e é fácil de encobrir porque, eliminada a causa - a gravidez - é impossível averiguar a sua veracidade). Estas clínicas não rejeitam um único pedido porque vivem, precisamente, de fazer abortos. Mas há outra razão: as portuguesas, que recorrem a essas clínicas, são, para todos os efeitos, estrangeiras. Um aborto realizado - ainda que fora do quadro legal espanhol - a uma estrangeira é virtualmente impossível de controlar. A estrangeira chega, no mesmo dia é observada, é-lhe passada a respectiva prescrição, é realizado o aborto, a estrangeira vai-se embora. Depois de passar a fronteira quem é que a vai procurar? Ninguém se lembrou de fazer o mesmo do lado de cá para as espanholas abortarem fora do quadro legal deles... ???

3º “O que se pretende é despenalizar e não liberalizar”. Outra mentira desonesta. «Não é de graça, é mas é de borla?» Se a pergunta diz, claramente «a pedido da mulher» isso significa que a mulher chega ao hospital ou à clínica, pede para fazer um aborto, fazem-lhe a ecografia para determinar o tempo de gestação e aborta. Num Estado de Direito tudo o que não é proibido é permitido. Portanto, se até às dez semanas o aborto não for proibido, passa a ser permitido. Isso é liberalizar. Tudo o resto são jogos de palavras.

(Fonte: Maria Clara Assunção; http://nao-obrigada.org/ )

Concluindo: tantos falsos argumentos para defender o “Sim”; e tanta VIDA para defender o “NÃO”.

domingo, 14 de janeiro de 2007

BULGÁRIA


ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, HOJE, DIA 2007.01.14


Há uma semana, analisei a Roménia, país que, com a Bulgária, integrará o clube económico da Europa rica. Hoje chegou a vez da Bulgária.
A Bulgária é um país do leste da Europa. Está situado nos Balcãs, ao longo do Mar Negro. Faz fronteira com a Roménia, através do Rio Danúbio, a norte; com a Grécia e com a Turquia, a sul; e com a Jugoslávia e com a Macedónia, a oeste. Tem uma superfície de 110 912 km2. As cidades mais importantes são Sófia, a capital (com 1,4 milhões de habitantes), Plovdiv, Varna, Burgas e Rousse. O clima é continental moderado, no norte e no noroeste, com Invernos frios, e mediterrânico, no sudeste, com Verões quentes.
Entre 1946 e 1989, a Bulgária teve uma economia centralizada que se baseava na agricultura e na indústria. A partir de 1991, com a subida ao poder do Governo democrata, vários sectores foram privatizados. Esse facto deu origem a um rendimento per-capita semelhante ao dos países desenvolvidos. O turismo, que se concentra nas praias ao longo da costa do Mar Negro, oferece ao país uma enorme fonte de divisas estrangeiras.
Depois dos bizantinos, os turcos otomanos dominaram o território durante cinco séculos. Durante a guerra entre os russos e os turcos, entre 1877 e 1878, surgiu um forte movimento nacionalista. No final da guerra, a Rússia impôs à Turquia o Tratado de San Stefano, segundo o qual a Bulgária passou a ser praticamente independente, cobrindo quase 3/5 da Península Balcânica. Os países vizinhos não concordaram com o tratado e, nesse ano, no Congresso de Berlim, autorizaram a autonomia de apenas uma pequena parcela de território, que correspondia à parte central entre os Balcãs e o Danúbio. Em 1885, Fernando tornou-se príncipe da Bulgária e declarou a independência do território. Algum tempo depois, o príncipe búlgaro uniu a Grécia, a Sérvia e o Montenegro ao seu país, formando a Liga Balcânica, que conquistou aos turcos a Macedónia e a Trácia, na Primeira Guerra Balcânica, entre 1912 e 1913. Entretanto, Fernando ficou insatisfeito com a pequena porção da Macedónia, que recebeu como pilhagem, e precipitou-se na Segunda Guerra Balcânica, entre Junho e Agosto de 1913, contra a Turquia e a Roménia. A Bulgária perdeu a guerra, bem como grande parte do território que tinha conquistado na primeira guerra. Esse facto representou o fim da expansão territorial búlgara. Embora Fernando se tenha colocado ao lado dos países mais fortes, durante a Primeira Guerra Mundial, com o objectivo de recuperar a Macedónia. A derrota do país em 1918 forçou o príncipe a abdicar a favor do filho, Boris.
Seguiram-se anos de crise económica, de extremismo político e de violência, o que levou Boris a instalar uma ditadura real. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Bulgária colocou-se ao lado da Alemanha mas, mais uma vez, a tentativa de expandir o território saiu falhada. Em 1944, o comunismo chegou ao poder, depois de uma invasão do Exército Vermelho Soviético. Em 1946, um plebiscito aboliu a monarquia e estabeleceu uma república democrática que, mais tarde, passou a ser dominada pelo Partido Comunista Búlgaro. Seguiram-se as expropriações estatais da indústria e a colectivização dos solos agrícolas. Sob as lideranças sucessivas de Georgo Dimitrov, Vulko Chervenkov e Todor Zhivkov, a Bulgária transformou-se num país predominantemente urbano e industrial e manteve-se firmemente ligado à União Soviética.
Em 1989, a onda de democratização do leste europeu também se fez sentir na Bulgária. As eleições multipartidárias de 1990 deram a vitória ao Partido Socialista (a nova designação do anterior Partido Comunista). Mas, nas eleições de 1991, a União das Forças Democratas chegou ao poder e formou o primeiro Governo democrata da Bulgária, desde 1946.
(Fonte: http://www.government.bg/; Apontamentos Pessoais)
Concluindo, a Bulgária e a Roménia já estão na U.E. Bem-vindos búlgaros e búlgaras!

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Roménia

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2007.01.07

Na passada segunda-feira, 1 de Janeiro de 2007, entraram para o clube económico da Europa rica dois Estados da Europa de Leste: Roménia e Bulgária.
Hoje debruçar-me-ei numa análise à Roménia. País situado a leste da Europa, faz fronteira a norte e nordeste com a Moldávia e a Ucrânia, a noroeste com a Hungria, a sudoeste com a Jugoslávia e a sul com a Bulgária. A sueste abre-se para o Mar Negro. Tem uma área de 238 391 km2. Grande parte do país é abrangida pelas montanhas dos Cárpatos. Os Alpes Transilvânicos, com altitudes da ordem dos 2 500 metros, localizam-se na parte central do território, segundo uma direcção oeste-este. Limitam, a norte, a secção terminal do rio Danúbio que drena uma extensa planície antes de desaguar no Mar Negro. O clima é temperado continental, com invernos em que as temperaturas médias são negativas e verões onde, durante dois ou três meses, as temperaturas são superiores a 20º C. A precipitação não é muito elevada, distribuindo-se ao longo de todo o ano, mas registando maiores quantitativos nos chamados meses de Verão.
A Roménia esteve sob o domínio comunista entre 1948 e 1989. Nesse período, a economia era de planeamento central. A agricultura foi transformada em indústria pesada e serviços. Desde 1991, no após-comunismo, o governo começou a caminhar no sentido de um retorno do sector privado. O Produto Interno Bruto (PIB) da Roménia é dos mais baixos da Europa de Leste, embora mais de 40% do solo sejam cultivados. Depois da revolução, a transição para um novo sistema político e económico conduziu, em muitos casos, ao agravamento da pobreza, Bucareste povoou-se de crianças romenas tornadas, de repente, pedintes.
A antiga Roma subjugou este território, a então província da Dácia, constituída por povos que habitavam as montanhas dos Cárpatos e a Transilvânia às suas leis e linguagem própria (o romeno provém do latim). As constantes invasões, entre os séculos VI e XII por hunos, búlgaros, eslavos e outros invasores levaram ao abandono da Dácia pelos romanos. No século XI a Transilvânia foi absorvida pelo Império Húngaro. O primeiro Estado romeno foi estabelecido na Valáquia, no sul dos Cárpatos, no século XIV. O segundo Estado romeno foi a Moldávia que foi fundada em 1349, a este dos Cárpatos no vale do Rio Prut, ambos tornaram-se parte do Império Otomano nos séculos XV e XVI.
Ao domínio turco sucedeu-se o domínio russo, entre 1829/56. Os romenos da Transilvânia continuaram a viver sob o controlo húngaro. O nacionalismo começou a nascer na Roménia no século XIX, surgiram insurreições na Valáquia, Moldávia e na Transilvânia que foram suprimidas pelos otomanos e pelos russos. Depois da Guerra da Crimeia (1853-56), Valáquia e Moldávia tornaram-se novamente principados independentes, elegendo um único príncipe e criando de facto o Estado romeno. O Estado uniu-se administrativamente em 1861, mas foi reconhecido internacionalmente pelo Tratado de Berlim, em 1878, a seguir à guerra russo-turca.
A Roménia participou na Primeira Guerra Mundial com os Aliados, mas as forças do poder central cedo ocuparam Bucareste e a maior parte do país. O território romeno duplicou com a anexação da Transilvânia, Bukovina e Bessarábia. A incorporação destes territórios não foi pacífica por vários factores como a convivência, as novas minorias, a depressão económica dos anos trinta, o crescimento de uma política extremista e do surgimento de movimentos fascistas à semelhança do que acontecia na Alemanha e na Itália. A Roménia fez uma aliança com o governo nazi alemão em 1941. 500 000 soldados alemães juntaram-se ao exército romeno com o fim de, em conjunto, invadirem a União Soviética. Em 1944 as tropas soviéticas assaltaram a Roménia. Sobre esta ocupação os líderes da direita e o rei abdicaram do poder. Os comunistas romenos adquiriram o controle total do país em 1948, proclamaram uma constituição baseada na russa e este país passou a chamar-se República Popular da Roménia.
(Fonte: http://www.gov.ro/; Apontamentos Pessoais)
Concluindo: A Roménia pertencerá, de pleno direito, nas instâncias comunitárias. Bem-vindos, romenos e romenas!

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Te Deum

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2006.12.31

Te Deum laudamus: te Dominum confitemur.
Te æternum Patrem omnis terra veneratur.
Tibi omnes Angeli, tibi Cæli, et universæ Potestates: Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant: Sanctus, Sanctus, Sanctus Dominus Deus Sabaoth.
Pleni sunt cæli et terra majestatis gloriæ tuæ.
Te gloriosus Apostolorum chorus, Te Prophetarum laudabilis numerus, Te Martyrum candidatus laudat exercitus.
Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia, Patrem immensæ majestatis: Venerandum tuum verum et unicum Filium: Sanctum quoque Paraclitum Spiritum. Tu Rex gloriæ, Christe.
Tu Patris sempiternus es Filius, Tu, ad liberandum suscepturus hominem, non horruisti Virginis uterum.
Tu, devicto mortis aculeo, aperuisti credentibus regna cælorum. Tu ad dexteram, Dei sedes, in gloria Patris. Judex crederis esse venturus.
Te ergo quæsumus, tuis famulis subveni, quos pretioso sanguine redemisti.
Æterni fac cum Sanctis tuis in gloria munerari.
Salvum fac populum tuum, Domine, et benedic hereditati tuæ.
Et rege eos, et extolle illos usque in æternum.
Per singulos dies benedicimus te; Et laudamus nomen tuum in sæculum, et in sæculum sæculi.
Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire.
Miserere nostri domine, miserere nostri.
Fiat misericordia tua, Domine, super nos, quemadmodum speravimus in te.
In te, Domine, speravi: non confundar in æternum.
V. Benedicamus Patrem, et Filium, cum Sancto Spiritu.
R. Laudemus, et super exaltemus eum in sæcula.
V. Benedictus es, Domine, in firmamento cæli.
R. Et laudabilis, et gloriosus, et super exaltatus in sæcula.
V. Domine, exaudis orationem mean.
R. Et clamor meus ad te veniat.
V. Dominus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.
Oremus.
Deus, cujus misericordiæ non est numerus, et bonitatis infinitus est thesaurus; piissimæ majestati tuæ pro collatis donis gratias agimus, tuam semper clementiam exorantes; ut, qui petentibus postulata concedis, eosdem non deserens, ad præmia futura disponas.
Per Christum Dominum nostrum.
R. Amen.

Te Deum é um hino litúrgico católico atribuído aos santos Ambrósio e Agostinho, iniciado com as palavras "Te Deum Laudamus" (A Ti, ó Deus, louvamos). Segundo a tradição, este hino foi improvisado na Catedral de Milão. Esse texto foi musicado por vários compositores, entre eles Henry Purcell, Wolfgang Amadeus Mozart, Franz Joseph Haydn, Anton Bruckner.
Hoje é o último dia do ano de 2006 d. C. Chegou o tempo de agradecer a Deus por mais este ano. Quantas vezes o Homem agradece a Deus, especialmente nos momentos dramáticos da sua vida? Mas, por outro lado, sente o profundo desejo de conhecer o sentido e a dinâmica dos acontecimentos individuais e comunitários em que se encontra implicado. Gostaria de saber "antes” que acontecerá "depois", de maneira a não ser tomado de surpresa.
Antes do nascimento de Jesus, o homem estava sujeito à tirania do tempo, semelhante ao escravo que não sabe o que se passa pela mente do seu patrão. Porém, quando o Verbo se fez homem e habitou entre nós, esta perspectiva foi totalmente alterada. Na noite de Natal, que se celebrou há uma semana, o Eterno entrou na história, o "não ainda" do tempo, ritmado pelo inexorável fluxo dos dias, ligou-se misteriosamente ao "já" da manifestação do Filho de Deus.
Te Deum laudamus! Nesta noite eleva-se do nosso coração reconhecido o cântico de louvor e de acção de graças. No termo de um ano é particularmente necessário tomar consciência também das nossas fragilidades e dos momentos em que não somos plenamente fiéis ao amor de Deus. Pelas nossas culpas e omissões, peçamos perdão ao Senhor. Continuemos a abandonar-nos com confiança na bondade do Senhor. Ele não deixará de ser misericordioso para connosco.
(Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Te_Deum ; http://www.vatican.va/ )
Concluindo: a minha oração nesta noite: Confiamos e abandonamo-nos nas Tuas mãos, Senhor do tempo e da eternidade. Tu és a nossa esperança: a esperança do mundo; o sustentáculo dos fracos; o conforto de quem se sente confuso; e a alegria e a Paz de quem Te recebe e Te ama! Ao mesmo tempo que termina este ano, o olhar já se projecta para o novo, o coração abandona-se com confiança nos Teus misteriosos desígnios de salvação.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Natividade


ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2006.12.24


“As vitrines das lojas estão decoradas para a festa, com bolas douradas, pequenas árvores de Natal, lindos presentes. À noite, as ruas brilham com estrelas cadentes ou cometas. As árvores, nas calçadas, têm os ramos cobertos de luzinhas vermelhas, azuis ou brancas, criando nas ruas uma atmosfera mágica... Percebe-se a expectativa. Todos estão envolvidos...
Natal não é apenas uma recordação tradicional: o nascimento daquele menino há 200[6] anos... Natal é algo vivo! E não só nas igrejas, com os seus presépios, mas também entre as pessoas, devido ao clima de alegria, de amizade, de bondade que todo ano ele cria. Mesmo assim, ainda hoje, o mundo é assolado por enormes problemas: a pobreza e a fome, (...) dezenas de guerras, o terrorismo, o ódio entre etnias, mas também entre grupos e entre pessoas…
É necessário o Amor. É preciso que Jesus volte com potência. O Menino Jesus é sempre a imensa dádiva do Pai à humanidade, embora nem todos o reconheçam. Devemos oferecer também por eles o nosso agradecimento ao Pai. Temos que festejar o Natal e renovar a nossa fé no pequeno menino-Deus que veio para nos salvar, para criar uma nova família de irmãos unidos pelo amor; uma família que se estende sobre toda a Terra. Olhemos ao nosso redor...
Que este amor seja dirigido a todos, mas, de modo especial, a quem sofre, aos mais necessitados, aos que estão sós, aos que são excluídos, aos pequenos e aos doentes... Que a comunhão com eles, de afecto e de bens, faça resplandecer uma família de verdadeiros irmãos que festejam juntos o Natal e que vai mais além.
Quem poderá resistir à potência do amor? À luz do Natal, façamos alguma coisa, suscitemos acções concretas. Serão remédios para os males. Eles podem parecer pequenos, mas se forem utilizados em vasta escala, poderão ser uma luz e uma solução para os graves problemas do mundo.”
Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares

É Natal! Aleluia já nasceu o Prometido! Esta mensagem de Natal, de uma das personalidades mais carismáticas no seio dos movimentos da Igreja Católica e que tem envidado todos esforços pelo diálogo inter-religioso, Chiara Lubich, é bem clara no intento de se olhar o Natal com olhos menos pagãos e mais cristão.
É de assinalar que a indústria cinematográfica se tenha preocupado com questões religiosas, ligadas à figura de Jesus Cristo, como já havia acontecido com a película “Paixão de Cristo”, de Mel Gibson. Quando a moda é não se falar de Deus nas nossas sociedades e quando se defende a laicização dos Estados, o filme “O NASCIMENTO DE CRISTO”, de Catherine Hardwicke, vem enaltecer a figura de Cristo.
“O NASCIMENTO DE CRISTO” conta a extraordinária história de duas pessoas comuns, Maria e José, um amor profundo, uma milagrosa gravidez, uma árdua viagem e a revelação do nascimento de Jesus. O Rei Herodes reina com mão de ferro a cidade de Nazaré. É um tempo de luta e sofrimento; as taxas a pagar são elevadas, a pobreza predomina. Homens honrados são forçados a fazer coisas impensáveis para manter e assegurar a sobrevivência das suas famílias. Para assegurar a estabilidade da sua família, o pai de Maria, Joaquim decide casar a sua filha com um homem de honra com grandes qualidades, José. Honrando o seu pai, Maria aceita com agrado a sua decisão, sem saber que este destino a tornaria numa das mais importantes mulheres da história. A sua história é simples, mas representa o início da maior história alguma vez contada.
(Fonte: http://www.focolare.org/ , http://www.thenativitystory.com/ )
Concluindo: o Natal tem que ser mais vivido. Primeiro dentro de nós. E só depois para aqueles que mais necessitam. Um Santo Natal!

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Terra Santa: um território partilhável? (III)

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2006.12.17

Neste terceiro Domingo do advento, continuo a oferecer uma reflecção sobre a Paz. Há uma semana, tentei explicar porque falhou o Processo de Oslo, tentativa para restabelecer a Paz na Terra Santa. Hoje proponho caracterizar historicamente a Palestina e o Estado de Israel.
Não se pode contradizer quem afirma que neste território, e em particular na cidade de Jerusalém, concentram-se todas (ou quase todas) as divergências da humanidade. Uma análise cronológica dos acontecimentos é suficiente para testemunhar as lutas e o sofrimento daqueles povos.
Durante os reinados de David e de Salomão, a cidade de Jerusalém tornou-se o centro da vida do povo hebreu com a construção do grande Templo; no ano 70 d.C. as tropas do futuro imperador romano, Tito, provocaram a sua destruição, deixando em ruínas a chamada "Esplanada do Templo", sob a qual se encontra o "Muro das Lamentações", um dos lugares mais sagrados para a religião hebraica e, ainda hoje, alvo de orações e peregrinações, que cerca a parte ocidental da cidade. No ano 636, ocorreu a ocupação muçulmana e, em 691 foi construída, sobre a Esplanada, onde se acredita que Maomé tenha iniciado a sua viagem ao Céu, a Mesquita "da Rocha", que também é um lugar santo para os muçulmanos.
No ano de 1099, as forças cristãs, ligadas às Cruzadas, conquistam a cidade que se torna capital do Reino Cristão de Jerusalém, todavia este breve período termina em 1187 com a reconquista dos árabes. Também, os cristãos têm um lugar santo na cidade, a Basílica do Santo Sepulcro. Em 1517, a Palestina é submetida à dominação turca, assim permanecendo até que esta foi dissolvida, no final da I Guerra Mundial. Em 1922, torna-se um Protectorado da Sociedade das Nações, sob responsabilidade do Reino Unido, ansioso para substituir os turcos numa área já reconhecida como estratégica e necessária aos interesses colonialistas britânicos, para coligar as possessões egípcias (e em particular o Canal de Suez) com as possessões e explorações petrolíferas na antiga Mesopotâmia.
O nascimento, durante o século XIX, do "Irredentismo" de muitos povos e nacionalidades europeias, submetidos aos grandes impérios, leva também o povo hebreu a cultivar o sonho de possuir um Estado e um país próprios, fenómeno conhecido por "Sionismo". A dramática perseguição sofrida pelos hebreus por parte do Regime Nacional-Socialista alemão parece pôr fim a este sonho; mas no final da II Guerra Mundial, este fenómeno ganha novamente força e concentra-se mais na Palestina, onde os numerosos migrantes hebreus, provenientes dos mais variados países fortalecem-se, em relação aos muitos que se já haviam transferido durante o mandato britânico. A convivência parece não ser mais possível, e assim árabes e hebreus reivindicam Jerusalém como cidade santa própria, e capital do próprio Estado.
A Organização das Nações Unidas (ONU), que havia sido constituída há pouco tempo, foi chamada a intervir neste conflito, e colocada à prova através de uma questão verdadeiramente difícil. Em 29 de Novembro de 1947 foi votada a divisão dos 27.000 km2 da Palestina em dois Estados: 55% aos hebreus (que proclamaram o Estado de Israel no dia 14 de Maio de 1948, quando teve fim o mandato britânico) e 45% aos árabes, que imediatamente contestaram o direito dos hebreus dominar a parte de "terra" que lhes cabia. Todavia, com o decorrer dos anos, a situação modificou-se, tanto que hoje o Estado de Israel ocupa 78% do território sobre o qual habitam cerca de 5,5 milhões de judeus e 1,2 milhões de palestinianos. Em contrapartida, os territórios palestinianos ocupam 22% do território com mais de dois milhões de árabes; porém o seu território é gravemente limitado por uma marcada descontinidade, devido às numerosas ocupações hebraicas, localizadas em lugares estratégicos.

(Fonte: http://www.azionemondounito.org/home.asp ; Apontamentos Pessoais)
Concluindo: existe a esperança de que um dia todo este sofrimento chegue ao fim! Espero que, em ambas as partes, se possa amadurecer uma sociedade civil que saiba dar novamente vida a projectos políticos ambiciosos, o único caminho para levar paz e prosperidade também a esta atormentada população.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Terra Santa: um território partilhável? (II)

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2006.12.10

Neste segundo Domingo do advento, continuo a oferecer uma reflecção sobre a Paz. Há uma semana, dei a minha opinião sobre quem deve ocupar o território que divide os judeus e os árabes. Hoje vou tentar explicar porque falhou o Processo de Oslo, uma tentativa para restabelecer a Paz naquela zona do nosso mundo.
Porque é que o Processo de Oslo falhou? De certo, não falhou por se ter baseado em premissas erradas. Entendo que DOIS ESTADOS PARA DOIS POVOS É A ÚNICA OPORTUNIDADE PARA HAVER A PAZ NESTA REGIÃO. Então por que é o Processo de Oslo fracassou? Cada lado costuma culpar o outro. Vejamos alguns argumentos palestinianos: 1) Visita de Sharon ao Monte do Templo; 2) Ocupação de Israel na Cisjordânia e em Gaza; e 3) Bloqueios israelitas e punições colectivas. Por outro lado, os argumentos israelitas: 1) Recusa de Arafat às propostas de Barak em Camp David; 2) Atentados terroristas palestinianos; e 3) Incitamento dos Palestinianos à violência e ódio. Segundo este cenário, lanço-lhe um desafio: sinta-se incitado a julgar que actos considera mais imorais e injustos, ou quem tem razão. Cada lado faz uma contagem diferente de sangue e de culpas; costuma escolher diferentes factos para divulgar ou omitir factos; realça que quem perdeu a confiança e a crença no comprometimento do foi a outra facção, frustrando o sucesso do próprio Processo de Oslo.
Por tudo isto: o que é necessário daqui em diante? A primeira coisa a ser combatida é a INTOLERÂNCIA. Os palestinianos e os israelitas devem dizer NÃO aos seus próprios membros intolerantes e às suas formas violentas de manter o conflito aceso. Há que rejeitar as explicações simplistas, os slogans de propaganda que põem toda a culpa num só lado: "Islão = Terrorismo" ou "Sionismo = Racismo".
Dizer que se é pacifista não significa nada. Para ilustrar como se deve lutar pela Paz, transcrevo uma experiência que me parece sintomática e que reflecte o pragmatismo de diálogo ecomémico. Anna Granata, no seu diário de viagem, escreve: "Jerusalém, 4 de Abril de 2004, chegamos ao aeroporto de Tel Aviv durante a noite: somos um grupo de 30 jovens, da Itália, Alemanha, Bélgica, Coreia e Hong Kong. Passamos por um breve interrogatório, mas o suficiente para perceber que chegamos a um país que está em guerra. Depois viajamos de autocarro até Jerusalém. (...) Da janela do nosso quarto vêem-se mulheres árabes, que se dirigem ao "suq" (o mercado árabe), (...). Tinha a sensação que fosse um pouco perigoso, mas, chegando aqui, entende-se o quanto é importante estarmos dispostos a enfrentar o risco, para compartilhar o dia-a-dia das pessoas deste lugar (...). Foi inesquecível: uma multidão de cristãos que cantam e dançam. De todos os lados, crianças e famílias muçulmanas olham curiosos, sorriem e laçam arroz (...). Hoje vieram connosco também alguns jovens palestinianos. (...) Nesta terra não se pode ficar nem um instante sem pensar na religião do outro e na necessidade do diálogo. Depois tivemos um jantar árabe e o acolhimento da comunidade de Jerusalém, que nos amou de modo extremo. Duas jovens muçulmanas agradeceram-nos por termos vindo compartilhar a sua vida de cada dia"
(Fonte: http://www.moun.com ; http://www.mondounito.net ; Apontamentos Pessoais)
Concluindo: É possível contar uma grande mentira ao reunir pequenos fragmentos da verdade. A solução dos dois Estados precisa ser mantida e procurada inequivocamente. Condições como continuidade territorial, segurança, fronteiras reconhecidas e carácter nacional dos dois Estados são essenciais para o seu sucesso. O mundo Unido não é uma utopia. É realidade!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Terra Santa: um território partilhável? (I)

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2006.12.03

No início do advento para o Natal, quero propor um desafio: sermos mais activos pela Paz. Deve estar a pensar: como posso fazer isto aqui nesta terra onde nada de mal acontece? Não há guerras, não há bombardeamentos! Mas engana-se: a verdadeira Paz é construída dentro de nós próprios e só depois é dada ao próximo. A ausência da Paz (mais conhecida como guerra) não é só, mas também, no Médio Oriente nem no sudeste asiático.
Quero falar de uma ausência de Paz. Vou fazer uma tentativa de análise sobre o conflito israelo-palestiniano. A "Terra Prometida" estende-se, aproximadamente, do Mar Mediterrâneo ao Rio Jordão. Neste território habitam cerca de 5 milhões de judeus e de 4,5 milhões de árabes. Os judeus chamam a essa terra Israel, e por sua vez, os árabes chamam Palestina. Ambos acreditam que essa terra lhes pertence.
Que razões têm os judeus para acreditar que essa terra lhes pertence? No plano histórico: este território foi um reino hebreu onde os judeus viveram por muitos séculos. Após as revoltas contra os Romanos, de 70 a 135 d.C., a terra, Judeia, recebeu dos Romanos o nome de Palestina. No plano religioso, desde a destruição romana, que os judeus oram para voltar a essa terra. "No próximo ano em Jerusalém" é a frase com que termina cada celebração da Páscoa. Os judeus oram três vezes ao dia, voltados para Jerusalém, que é sua cidade mais sagrada. Após séculos de trágicas cruzadas e por fim, o Holocausto, a maior parte dos judeus acredita que estarão a salvo de perseguições se existir um Estado Judeu independente.
Que razões têm os árabes para acreditar que essa terra lhes pertence? No plano histórico, os povos árabes habitaram nesta terra durante séculos. A sua presença aumentou, significativamente, após a conquista muçulmana no século VII. No plano cultural, as vidas e tradições dos habitantes estão muito ligadas a esta terra, onde muitos tiveram antepassados por inúmeras gerações. Jerusalém é um centro cultural, social e religioso para a população árabe. No plano religioso, nesta urbe ficam as mesquitas de Al-Aqsa e de Omar, o 3º local mais sagrado para os muçulmanos. A tradição diz que o Profeta Maomé subiu ao Céu montado no seu lendário cavalo, Al Buraq.
Em boa verdade, acho que ambos os povos têm direito a essa terra. Ambos os direitos são amplamente reconhecidos pela comunidade internacional. Nenhum dos lados simplesmente desaparecerá amanhã: nem os 5 milhões de judeus nem os 4,5 milhões de árabes. Assim sendo, há 4 possíveis soluções para o conflito : 1) os árabes ficam com toda a terra; 2) os judeus ficam com toda a terra; 3) um Estado bi-nacional para judeus e árabes; e 4) dois Estados para dois povos. Isto é, as soluções 1 e 2 envolveriam a eliminação do outro lado pela força. Apenas um genocídio e deportação em larga escala poderia levar a tal cenário. O resultado mais provável destas soluções levava que ambos os lados iriam lutar entre si até a destruição mútua. A solução 3, o Estado bi-nacional, poderia até parecer atraente em teoria, mas seria impraticável dado o nível de tensão e ódio entre as partes. Além disso, esse tipo de solução contraria os anseios por autonomia e autodeterminação de cada um dos povos. Portanto, a única possibilidade de alcançar uma Paz duradoura seria através da existência de DOIS ESTADOS INDEPENDENTES, ISRAEL E PALESTINA, vivendo lado-a-lado com fronteiras seguras e mutuamente reconhecidas.
Concluindo: O que é que cada mãe e pai, sejam judeus, islâmicos, cristãos ou budistas, desejam para si? Ter e criar os seus filhos, uma casa, comida e educação. Em nada somos diferentes. Apoie a PAZ!

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Centro Cultural Santa Clara: cultura para todos


ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2006.11.26

O que é a Cultura? Cultura (do latim cultura, cultivar o solo, cuidar) é um termo com várias acepções, em diferentes níveis de profundidade e diferente especificidade. Há diversos sentidos da palavra que variam consoante a aplicação em determinado ramo do conhecimento humano. Relativamente à agricultura significa cultivo. No âmbito das ciências sociais (latu senso) está relacionada com a produção do saber, arte, folclore, mitologia, costumes, bem como com a sua perpetuação pela transmissão de uma geração à outra. Na área de filosofia, a cultura é o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou comportamento natural. Por seu turno, em biologia uma cultura é normalmente uma criação especial de organismos (em geral microscópicos) para fins determinados. No quotidiano das sociedades ocidentais, costuma ser associada à aquisição de conhecimentos e práticas de vida reconhecidas como melhores, superiores, ou seja, erudição. Na antropologia, a cultura é encarada como a totalidade de padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. Segundo a definição pioneira de Edward Burnett Tylor, sob etnologia (ciência relativa especificamente do estudo da cultura) a cultura seria "o complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade." Portanto, corresponde às formas de organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a identidade desse povo.
O Centro Cultural e Cívico de Santa Clara (CCCSC) é uma infra-estrutura pertencente à Câmara Municipal de Ponta Delgada, inaugurada em 28 de Agosto de 2004 pela Presidente da edilidade, Dr.ª Berta Cabral. O CCCSC desempenha um papel ímpar no panorama cultural em Santa Clara e no Concelho de Ponta Delgada.
Há pouco mais de um ano como freguesia, com os seus órgãos políticos autónomos, Santa Clara assume-se como uma freguesia virada para o mar. Estratificada no plano social, a freguesia empresta à cidade um conjunto de serviços essenciais ao normal funcionamento de uma cidade: aeroporto, porto, indústrias, estabelecimento de saúde privado. Uma mais-valia para a cidade. E é nesta freguesia que o Município decidiu construir um edifício para dar apoio à nova freguesia que iria surgir. Anexo à Igreja local, o CCCSC cresce para renovar o panorama cultural do Concelho.
Hoje colaboro com o CCCSC. Desenvolvo, com o seu director, toda a organização e gerência das actividades do Centro. Aqui está sediada a Associação de Guias de Portugal, secção de Santa Clara; a secção local da Cáritas e do Banco Alimentar; a Junta e Assembleia de Freguesia de Santa Clara; o Salão de Convívio; o Cybercenter e o Auditório que daqui a algum tempo receberá as reuniões da Assembleia Municipal de Ponta Delgada.
Connosco colabora, durante toda a semana, a agência bancodetempo de Ponta Delgada com actividades variadas: jogos de mesa, pintura, sessões de sensibilização variadas, (ex. Primeiros Socorros e de Segurança), aulas de iniciação às tecnologias de informação, etc.
O auditório também serve para ensaios de passagem de modelos e grupos folclóricos. Na sala de convívio confluem cidadãos que passam toda a tarde a confraternizar. O Cybercenter está aberto, durante toda a tarde, para navegação à Internet e também aqui se desenvolvem cursos de iniciação às tecnologias de informação, de modo a dar diplomas de competências básicas (DCB) a todos os cidadãos que pretendam.
(Fonte: http://www.pontadelgadadigital.com/ e http://www.wikipedia.org/ )
Concluindo: Centro Cultural em Santa Clara para todo o concelho de Ponta Delgada e para toda a ilha de S. Miguel.