domingo, 6 de maio de 2007

Os jovens também podem ser Santos

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2007.05.06

Hoje, no início deste mês de Maio, regozijo-me em partilhar dois casos paradigmáticos de como se pode santo, ainda jovem: o primeiro é o exemplo de vida de Chiara Luce Badano; e, por último, o projecto de santidade colectiva de Carlo e Alberto.

Chiara Luce Badano, nas suas memórias escreveu: "Redescobri o Evangelho sob uma nova luz. Entendi que eu não era uma cristã autêntica, porque não o vivia até às últimas consequências. Agora quero fazer deste magnífico livro o único objectivo da minha vida. Não quero e não posso permanecer analfabeta em relação a uma mensagem tão extraordinária. Assim, como para mim é fácil aprender o alfabeto, também deve ser fácil viver o Evangelho".

O testemunho de Chiara Luce Badano é significativo principalmente para os jovens. Basta considerar como ela viveu a doença e ver a repercussão que a sua morte teve. Não era possível deixar um exemplo como este cair no vazio. A santidade é necessária também hoje. É preciso ajudar a encontrar uma orientação, um objectivo para a vida, ajudar os jovens a superarem as suas inseguranças, sua solidão, seus enigmas diante dos insucessos, das dores, da morte. Os discursos teóricos não conquistam mais os jovens, é necessário o testemunho. Nas conversas notava-se uma maturidade muito superior à dos jovens da sua idade. Ela tinha compreendido o essencial do cristianismo: Deus em primeiro lugar; Jesus, com quem tinha um relacionamento espontâneo, fraterno; Maria como exemplo; o amor como núcleo do cristianismo; a responsabilidade de anunciar o Evangelho. Tudo isto, provado pela experiência do sofrimento e da morte, não temida mas esperada, fez com que sua aventura se tornasse realmente singular. A seu propósito Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, escreveu: "Chiara Luce! Quanta luz se lê no seu rosto, quanta luz nas suas palavras, nas suas cartas, na sua vida totalmente projectada em amar concretamente!... A sua foi uma escolha radical de Jesus crucificado e abandonado; escolha daquilo que faz mal, e que, se não se ama, pode arrastar o espírito para um túnel escuro. Viveu com Ele, com Ele transformou a sua paixão em uma canto de núpcias".

O segundo exemplo de santidade que quero partilhar é o projecto de santidade colectiva de Carlo e Alberto. Sobre este caso raro de santidade, “O mergulho em Deus: os 40 dias de Carlo e Alberto”, no livro de Michele Zanchucchi, Director da revista Città Nuova de Itália, desenvolve uma narração da história de Carlo e Alberto, que cultivaram uma amizade esplêndida, aberta e alimentada por um objectivo em comum: levar a todos o dom do ideal evangélico que os havia fascinado. A vida desses dois jovens foi truncada prematuramente. Alberto, estudante de engenharia, inteligente, amante de desporto, apaixonado pelas montanhas, durante uma escalada, cai; Carlo, estudante de agronomia, enquanto está a prestar o serviço militar, é-lhe diagnosticado um cancro, dos mais malignos. A vida dos dois jovens tinha alcançado a plenitude pensada por Deus ao criá-los, até o ponto de irradiar uma beleza exemplar. O desejo deles era colocar Deus no centro da própria vida. O ter muito em comum e a amizade deles tinha, portanto, raízes profundas. Poder enfrentar juntos problemas e dificuldades do dia-a-dia, ajudava-os a viver os momentos difíceis e a superar a tentação de parar e de desistir. Muitas vezes recomeçaram, muitas vezes experimentaram que a vida neles e ao redor deles renascia. Também hoje, à distância de anos, o sue exemplo elucida. “Alberto e Carlo – dizem aqueles que os conheceram – são como duas contas bancárias sempre abertas e que continuam a render!”.

(Fonte: http://www.focolare.org)

Concluindo: ser Santo não é uma utopia. O exemplo de vida destes três jovens, que têm os processos de beatificação a decorrer no Vaticano, é bem elucidativo que é possível perpetuar as boas acções para que também outros os possam seguir.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Jovens: baluarte da Fraternidade Universal

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2007.04.29

Vivemos numa época na qual é necessário

que os jovens se formem

com uma mentalidade

que não seja apenas ocidental ou oriental,

mas com uma mentalidade “mundial”.

Os gen devem participar conscientemente

da gestão do mundo que virá.

Porque eles são chamados a levar a unidade a toda a terra,

aquela unidade que Cristo invocou ao Pai rezando

“Pai, que todos sejam um”.

Aquela unidade que dá à humanidade a mais alta dignidade:

a de sentir-se um único povo.

Chiara Lubich – 1972

O Movimento Juventude Nova (GEN) do Movimento dos Focolares (MdF) reúne jovens de várias classes sociais, empenhados em viver a Espiritualidade da Unidade. Estão ligados em rede, reúnem-se em pequenos grupos, as ‘unidades’, onde experimentam a força vital que brota da presença de Deus entre nós.

  • Os GEN contribuem para a construção dum mundo mais unido no qual todos se reconheçam como irmãos. Ou seja, contribuiu para a actuação do testamento de Cristo “que todos sejam um”. Para realizar os seus propósitos, os GEN confiam na força do amor evangélico – o amor que tende à reciprocidade e realiza a unidade – para que entre em todas as relações sociais, entre os povos, as culturas, as religiões. Comunicam este ideal nos seus ambientes, aos seus amigos, através de iniciativas e das mais variadas actividades, principalmente, através das experiências vividas no dia-a-dia. Assim como a luz passa através de um prisma, refracte-se nas sete cores do arco-íris, da mesma forma o amor pode exprimir-se em todos os aspectos da vida, iluminando-os e transformando-os.
  • Os GEN, respondendo ao apelo de Chiara Lubich: “Jovens do mundo inteiro uni-vos!”, assinalando, em 1967, o nascimento do Movimento GEN, suscitaram um movimento com um alcance ainda maior, do qual são os animadores: os “Jovens por um Mundo Unido”. Estão presentes em 182 países.
  • Escolas gen permanentes têm sua sede nas Mariápolis permanentes do Movimento dos Focolares: na Itália, na Suíça, na Alemanha, na República dos Camarões, na Argentina, no Brasil, nos Estados Unidos, nas Filipinas e em Portugal situa-se na Abrigada.
  • Os GEN compartilham com os jovens o objectivo de tornar o mundo mais unido. Para realizar este ideal, têm como ponto de partida o evangelho vivido; os que pertencem a outras religiões praticam a Regra de ouro: “Faça aos outros aquilo que gostarias fosse feito a ti”; os jovens que não professam nenhuma fé religiosa, partem da ideia da fraternidade universal.
  • Fragmentos de fraternidade – No mundo inteiro, os GEN promovem obras e actividades para rapazes da rua, os sem-terra, idosos abandonados, pessoas com deficiências físicas, presos, imigrantes, de acordo com as necessidades locais mais urgentes. Ao mesmo tempo, os GEN empenham-se em recolher fundos e realizar actividades de voluntariado a favor dos países que sofreram catástrofes como terramotos, inundações, guerras…
  • A Semana Mundo Unido é um encontro anual dos GEN. Realiza-se simultaneamente no mundo inteiro. Tem o objectivo de influenciar com as próprias ideias a opinião pública, envolvendo instituições civis e religiosas e os OCS.
  • Projecto África – no âmbito da Jornada Mundial da Juventude de 2000, durante o Genfest no estádio Flamínio (Roma), Chiara Lubich propõe aos gen e aos jovens o “Projecto África”.

(Fonte: www.focolare.org ; www.mondounito.net )

Concluindo: os jovens são os homens do amanhã. Temos que acreditar mais neles. Os GEN são jovens que vivem o ideal da Fraternidade Universal. Eu sou GEN. E também quero contribuir para melhorar este nosso mundo!

domingo, 22 de abril de 2007

Família: o berço da Fraternidade Universal

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2007.04.22

É um modelo que atrai e produz frutos.

Casais à beira da separação reencontram a força

para procurar um novo diálogo

e para reconstruir o que havia sido rompido.

Num mundo que esqueceu os grandes valores

e que passivamente assiste à desagregação

da “célula fundamental da sociedade”,

o testemunho de famílias motivadas por valores profundos,

solidárias e abertas, é fermento de uma sociedade mais comprometida

com a dimensão social, religiosa e civil.

O Movimento dos Focolares (MdF) tem no seu seio dezoito ramificações. Hoje debruçar-me-ei no Movimento Famílias Novas (MFN).

O MFN surgiu em 1967. Nos seus 40 anos de vida, o MFN definiu um novo modo de ser família bem como uma cultura familiar inovadora, construída em quatro direcções: educação, formação, socialização e solidariedade.

O ponto de partida é o compromisso assumido pelos membros em viver com radicalidade, contra todos os facilitismos modernos, a “Espiritualidade da Unidade”, do MdF. Uma vocação que na família significa também formar. O relacionamento de união profunda, construído dia após dia pelos pais, torna-se um forte elemento educativo para os filhos. Neste contexto, a diferença entre gerações deixa de ser um contraste entre opostos, tornando-se um positivo intercâmbio de dons.

A família não se fecha em si mesma mas expande-se como uma célula que vive para si na proporção que convive com os irmãos. Como se tratasse de uma fonte sagrada natural: a sociedade nova nasce da família que vive o Evangelho.

O MFN faz formação contínua entre os seus membros:

  • Escola Loreto – escola internacional para famílias que o MFN realiza desde 1982, e que já formou 1.200 casais do mundo inteiro. Tem como sede a Mariápolis (cidadela onde se vive 24h por dia a Fraternidade Universal) em Loppiano (Florença, Itália). Recentemente deu-se início a cursos para mediadores familiares, reconhecidos pela União Europeia (U.E.);
  • Congressos temáticos internacionais – Caracterizam-se pelo encontro e diálogo entre famílias e especialistas, ao nível mundial.
  • Family-point – Caminho de formação sobre os problemas mais inquietantes e actuais da família.
  • Solidariedade Internacional

§ Adopções à distância – O MFN promove cerca de cem projectos de desenvolvimento a favor de mais de 15 mil menores, em 45 países do hemisfério Sul. Estas acções, que incluem cursos de alfabetização e formação ao trabalho e à vida familiar para os pais, são financiadas pelas adopções à distância. O MFN ocupa-se ainda de adopções internacionais.

· Familyfest – É um congresso internacional realizado de 12 em 12 anos. O último, o Familyfest 2005, foi dedicado ao Papa da família, em sinal de gratidão, no mês de Abril, pouco depois da partida para o paraíso de João Paulo II. Foi um evento internacional, formado por uma rede de 200 encontros, em cidades e capitais de 78 países, nos cinco continentes, interligadas, via satélite, pela rede italiana RAI Uno. Na ocasião foi lançado um projecto de solidariedade que teve grande repercussão.

§ “Uma família, uma casa”. O projecto, inicialmente dirigido às famílias dos bairros mais pobres de Manila (Filipinas), hoje estende-se também à Tailândia e ao Sri Lanka, vítimas do tsunami, e à periferia de Cochabamba, na Bolívia.

(Fonte: www.focolare.org; www.flars.net/iginogiordani; www.famiglienuove.info/sad/ ).

Concluindo: A Família, célula primeira de uma sociedade, tem que ser redescoberta. Vivamos, cada um, a família com novos olhos.

terça-feira, 17 de abril de 2007

OCS: um meio para a Fraternidade Universal

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2007.04.15

A comunicação é vista em função da comunhão

Desde o início do Movimento dos Focolares.

Chiara Lubich escreveu na década de 50:

"O que é de um, deve ser comunicado aos outros,

de modo que a comunhão fraterna cresça.

E o Movimento dos Focolares permanecerá vivo como um corpo,

onde o sangue circula sempre".

Esta ideia de comunicação,

Aplicada à dimensão da humanidade,

Inspirará o compromisso dos agentes da OCS

que comungam o ideal de unidade dos Focolares.

A informação pela unidade

Actualmente, o forte impacto dos órgãos de comunicação social (OCS) é alvo de todos os olhares. Profissionais do cinema, da fotografia, do jornalismo, da informação e das novas tecnologias da informação, que vivem a espiritualidade da unidade, empenham-se para que os OCS sejam instrumentos positivos do crescimento do corpo social, de abertura e de comunhão dinâmica dentro da família humana, favorecendo a fraternidade universal.

Para difundir, à escala planetária, o ideal da unidade que inspira o Movimento dos Focolares (MdF), há alguns anos, em consonância com o desenvolvimento tecnológico, são empregues os mais variados meios de comunicação: da imprensa à internet, passando pelos satélites.

  • Difusão via satélite das manifestações internacionais – As mais importantes manifestações internacionais do MdF (Genfest, Familyfest, Supercongresso, do Movimento Juvenil pela Unidade), a partir de 1990, usufruíram da difusão via satélite, transmitida por muitas emissoras de televisão nacionais e locais.
  • Cidade Nova, revista de opinião – Está ao lado dos leitores para informar sobre os acontecimentos do globo, sobre o ecumenismo, a cultura, a arte e o espectáculo numa "perspectiva de unidade" e para fazer com que se conheça a espiritualidade e a experiência do MdF. Hoje são 37 edições, uma delas em Portugal da qual sou colaborador, publicadas em todo o mundo, em 22 línguas.
  • “Abba”, revista de formação teológico-cultural. É publicada bimestralmente.
  • Unidade e Carismas para o mundo das congregações religiosas.
  • Perspectivas de Comunhão, para o mundo sacerdotal.
  • Comunicação para a comunhão, uma experiência de 60 anos
  • O Centro Santa Chiara audiovisuais – Um serviço de documentação e actualidades com audiovisuais, teve a sua origem em 1954. Com o advento dos primeiros gravadores, começaram as gravações em áudio. Hoje existe uma cadeia de elaboração e produção em áudio e vídeo. O arquivo, cuidadosamente conservado, recolhe actualmente mais de 30 mil documentos multimédia, para aprofundar o conhecimento histórico, o desenvolvimento e a difusão do MdF e como suporte à formação dos seus membros.
  • Charisma Productions – Centro de produção de DVDs, com sede operacional na Inglaterra. Fundado em 2002, tem como finalidade, encontrar formas originais para transmitir o carisma da unidade com uma linguagem e um estilo populares, a fim de contribuir na realização da fraternidade da família humana.
  • Conferência telefónica mundial – Em 1980 teve início o que foi definido como "Collegamento": um encontro mensal, inicialmente telefónico e actualmente também via satélite, que une simultaneamente mais de 350 pontos do mundo. É um momento de profunda unidade, onde a família do MdF, disseminada por todo o planeta, partilha alegrias, sofrimentos e o compromisso no Ideal comum.

Um novo desenvolvimento, em nível cultural, teve o seu ponto de partida no Congresso internacional para agentes dos OCS, realizado em Castelgandolfo (Roma, Itália) em Junho de 2000, com o título: "Comunicação e unidade". Depois, surgiu o “NetOne”, uma rede de agentes da comunicação que reúne e difunde as ideias, os projectos, os aprofundamentos culturais, as experiências de comunicadores de várias partes do mundo que trabalham ou estudam nos diversos âmbitos da OCS, na perspectiva de um mundo unido.

(Fonte: http://www.focolare.org; http://www.cittanuova.it; http://www.net-one.org)

Conclusão: Comunicar é viver. Desde o início, todos os meios de comunicação foram usados para manter viva a actualidade das informações entre os membros do Movimento em todos os continentes. "As notícias dos irmãos são um poderoso cimento de união – escreveu Chiara Lubich – Se faltasse esta circulação de notícias, veríamos faltar a própria vida espiritual. Com efeito, as notícias são um elemento de estímulo e de edificação recíproca".

quarta-feira, 11 de abril de 2007

O significado da Páscoa

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2007.04.08

ALELUIA! JESUS CRISTO RESSUSCITOU!

A Páscoa é a maior festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, o Seu corpo foi colocado num sepulcro, onde permaneceu até à Sua ressurreição. É o dia santo mais importante do calendário cristão.

A Páscoa (do hebraico Pessach, passagem) é o evento religioso cristão, de maior importância para a cristandade. Na Páscoa, os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo (Vitória sobre a morte) depois da Sua morte por crucificação que terá ocorrido nesta altura do ano de 33 d.C.

Segundo o Novo Testamento, Cristo é o sacrifício da Páscoa. Jesus Cristo, deste modo, é tido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus que foi imolado para salvação e libertação de todos os homens do pecado. Para tal, Deus teria designado a Sua morte exactamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do próprio Jesus Cristo imolado.

De onde provêem os costumes desta festa cristã? Muitos costumes ligados ao período pascal provêem dos festivais pagãos da primavera. Outros nascem da celebração do Pessach, ou Passover – a Páscoa judaica. É uma das mais importantes festas do calendário judaico, celebrada durante 8 dias que comemora o êxodo dos judeus do Egipto durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade. É um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.

Os termos "Easter" (Ishart) e "Ostern" (em inglês e alemão, respectivamente) parecem não ter qualquer relação etimológica com o Pessach (Páscoa). As hipóteses mais aceitáveis relacionam os termos com Eostremonat, nome de um antigo mês germânico, ou de Eostre, uma deusa germânica relacionada com a primavera que era homenageada todos os anos, no mês de Eostremonat. É sugerido por alguns historiadores que muitos dos actuais símbolos ligados à Páscoa (especialmente os ovos de chocolate e o coelhinho da Páscoa) são resquícios culturais da festividade de primavera em honra de Eostre que, depois, foram assimilados às celebrações cristãs do Pessach, depois da cristianização dos pagãos germânicos. Contudo, já os persas, romanos, judeus e arménios tinham o hábito de oferecer e receber ovos coloridos nesta época.

A Páscoa cristã é celebrada (segundo o costume da Idade Média e da Europa) no primeiro domingo após a primeira Lua cheia da Primavera (no Hemisfério Sul, Outono): a data ocorre entre os dias 22 de Março e 25 de Abril.

Mais de 120 mil denominações cristãs, oficialmente reconhecidas pela ONU, representam mais de um terço da população mundial que celebram em alguma das suas muitas possíveis formas o périplo de três dias em que Jesus de Nazaré, filho de José e Maria, encerrou seu apostolado de 33 anos, relatado nos quatro evangelhos constantes na bíblia.

Fonte: www.wikiepdia.pt e Apontamentos Pessoais)

Concluindo: vivamos esta Páscoa, ressurreição de Cristo, com um novo modo de olhar para este mundo. Aleluia!

domingo, 1 de abril de 2007

Educação à Fraternidade Universal

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2007.04.01

Educação à fraternidade universal

Através da cultura da partilha e da paz.

A solidariedade não é só matéria de ensino,

Mas também metodologia para melhorar a qualidade educacional.

O trabalho em equipa,

o intercâmbio de experiências positivas e de dificuldades,

a formação do corpo docente.

São alguns elementos das linhas pedagógicas e metodológicas

amadurecidas durante os anos de experiência educacional

vivida nos cinco continentes pelos agentes do mundo da educação

à luz da espiritualidade da Unidade.

Estas linhas pedagógicas revelam-se particularmente adequadas aos desafios apresentados pela actual mudança, rumo a uma sociedade cada vez mais multicultural, multi-étnica e multi-religiosa.

Nos adolescentes tem vindo a ser criada uma nova mentalidade e um novo modo de relacionamento: entre eles e com os outros. Esta experiência educacional insere-se no actual debate pedagógico com um traço típico que o caracteriza:

· um projecto de ‘Homem Mundo’, isto é, aberto a todas as instâncias da humanidade, que inspira a actividade educacional;

· uma metodologia: “fazer-se um” com o outro, sentir com o outro, em que estão envolvidos tanto o educando, quanto o educador.

· cada pessoa, no contexto educacional, readquire dignidade e subjectividade educadora, porque a educação torna-se co-educação. Não é um projecto elitista, é proposto em todos os contextos e em todas as latitudes, é universal e popular; pode ser realizado a partir das crianças e adolescentes, dos pais ou dos educadores. Começa e recomeça a cada momento, pelo compromisso de manter vivo o amor recíproco, que faz de cada família ou escola uma “comunidade educadora”.

A finalidade da educação é formar homens novos, comprometendo-se a:

· Construir relacionamentos de Unidade entre educadores e educandos, entre todos os agentes das estruturas escolares e entre os sujeitos das várias instituições educacionais (pais, professores, animadores de grupos de juvenis…);

· suscitar a “cultura da partilha” nas novas gerações e abri-las para o cosmopolitismo com uma atenção para com todas as culturas, procurando favorecer a sua integração;

· educar as novas gerações ao amor pela humanidade e pelo meio ambiente, e manter sempre viva a estreita ligação entre cultura e vida, entre ensino e educação, também através de iniciativas e acções.

Para a informação estar sempre actualizada, há que haver formação. A formação realiza-se através de congressos ou trabalhos em equipas, em diversos contextos sócio-geográficos. Tem por objectivo contribuir para o crescimento humanístico do docente e para a renovação da sua pedagogia, segundo os princípios fundamentais da pedagogia da Unidade.

  • Itália – Em relação à formação do corpo docente, resulta importante e eficaz a colaboração com a ONG AMU (Acção por um Mundo Unido), no campo da cooperação internacional, credenciada para a formação dos funcionários das escolas sobre os temas da globalização e dos direitos humanos.
  • Tailândia – Realizou-se, em Bangcoc em 2004, um workshop para 40 professores e agentes do mundo da educação, 20 dos quais de religião budista. A finalidade foi traduzir, na linguagem e na cultura budista, a figura do professor ideal.

(Fonte: www.azionemondounito.org)

Concluindo: Educar para a Cidadania. Este deverá ser o novo desenvolvimento do compromisso dos membros do Movimento dos Focolares (MdF), no campo pedagógico, marcado pelo nascimento da “EDU – Educação Unidade”, centro de estudos pedagógicos do MdF, que teve início em 2002, por iniciativa de Chiara Lubich.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Promover uma cultura pela defesa da Vida

ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2007.03.25

Promover uma cultura da vida,
em todas as suas expressões, fases e condições.
É o compromisso dos membros dos Focolares,
particularmente de quem age profissionalmente
ou como voluntário nos diversos campos da saúde,
dos portadores de deficiências, da nutrição, do desporto, da ecologia…

Está viva neles a consciência
de que também a doença pode abrir novas dimensões à vida,
pode transforma-se num momento de união.
Por isso, esforçam-se para agir num espírito de fraternidade,
para realizar uma sociedade madura,

que valorize todas as formas de limite e de sofrimento
e que também garanta a cada pessoa
igualdade de acesso aos serviços sociais e de saúde
e a possibilidade de participar activamente,
segundo as próprias capacidades, na comunidade em que vive.

O respeito e o amor por cada Homem, que anima o compromisso pessoal, profissional ou voluntário dos membros do Movimento dos Focolares (MdF), suscitaram as mais variadas acções, iniciativas e obras, enraizadas em cada contexto social. Nos países industrializados, estas acções manifestam-se frequentemente como resposta às necessidades de cuidar, no sentido mais amplo do termo, da pessoa. Cuidado que, em geral, os serviços de saúde, mesmo se desenvolvidos, não conseguem realizar. No entanto, nos países emergentes, as diversas iniciativas são uma possibilidade de fornecer uma assistência real às faixas da população que vivem à margem do progresso, favorecendo o auto-desenvolvimento.

Em 1964 foi pedido ao MdF que interviesse para socorrer um povo da República dos Camarões, a tribo dos bangwas, em vias de extinção devido à doença do sono. A altíssima mortalidade infantil tinha atingido 90%. Alguns focolarinos (membros internos consagrados ao MdF) médicos, enfermeiros e técnicos em edificações partiram para Fontem. Passados mais de 30 anos, a mortalidade infantil está reduzida a 2%. Actualmente, no coração da floresta, existe uma harmoniosa cidadela com mais de 600 casas e um colégio com todas as fases do ensino preparatório e secundário. O Hospital tornou-se num centro especializado de doenças tropicais e distingue-se pela batalha contra a doença do sono, actualmente extinta. Agora abriu-se um sector para o tratamento da SIDA.

A partir de 1966, Chiara Lubich, fundadora do MdF, promoveu, entre os jovens, uma mobilização mundial de comunhão de bens, que contribuiu para o desenvolvimento de Fontem, que se tornou num distrito da República dos Camarões de língua inglesa, com cerca de 80 mil habitantes. As várias experiências de formação na área da saúde, conduzidas em diversos contextos do mundo, propõem não só a transmissão de conteúdos específicos, mas também conhecimentos que enaltecem a pessoa em sentido global, inserida no seu contexto sócio-cultural. São ministrados cursos de formação para voluntários e agentes sanitários, promovidos em Pisa (Itália), pela Associação Salus, para doentes com HIV/SIDA. O objectivo era fornecer competência integrada entre realidades geralmente divididas por incompreensões.

O aprofundamento de várias temáticas, no âmbito da Assistência Social e de Saúde, à luz da espiritualidade da Unidade, foi objecto de um estudo num simpósio interdisciplinar que aconteceu em Mestre (Veneza/Itália), em Junho de 2003. O simpósio realizou-se no âmbito da educação contínua em medicina exigida pelo Ministério da Saúde italiano para todas os profissionais saúde. Em Outubro de 2004, aconteceu um segundo simpósio sobre a comunicação na saúde. A parte prática era constituída pela apresentação de casos clínicos, sob forma de experiências de doentes.

Um posterior desenvolvimento em nível cultural foi marcado pelo nascimento da associação “Medicina Diálogo Comunhão” que quer contribuir na elaboração de uma antropologia médica que se inspira nos princípios contidos na espiritualidade da unidade que anima o MdF e nas experiências realizadas em vários países, neste campo.

(Fonte: http://www.focolare.org )

Concluindo: ser saudável não é uma acção individual. Depende muito da ajuda de todos nós. Sejamos mais solidários. Se cada um ajudar, todos seremos mais felizes.

domingo, 18 de março de 2007

Ética social, direito e justiça


ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2007.03.18

A exigência ética primordial no mundo de hoje

é a recomposição das relações humanas

em todos os âmbitos da vida social:

das relações familiares até as relações entre os Estados e os povos.

Buscar e realizar novos “modos” de relações,

que correspondam a novas formas éticas e jurídicas,

garantindo a justiça em todos os relacionamentos

para o bem dos indivíduos e da sociedade,

é o objectivo ideal almejado pelos

juristas, advogados, professores e estudantes,

empenhados no mundo do direito e da justiça.

Esta semana pretendo analisar um tema que a todos diz respeito: ética social, direito e justiça. Como alcançar este desiderato? Conquista-se pela vida e com acções de todos aqueles que estão no campo da ética social, do direito, da justiça e da administração pública. As experiências vitais, o confronto e o intercâmbio, entre todos, permitem identificar novos modos de actuação nos vários âmbitos e de realização das funções correspondentes na defesa das pessoas e da colectividade.

Por todo o mundo foram constituídos, para esta finalidade, “grupos” de agentes (Professores de Ética e de Direito, Magistrados e Advogados, funcionários do aparelho judicial e agentes penitenciários, etc.), que promovem encontros com a participação e o envolvimento, sem excluir ninguém, de todos aqueles que, actuando no mesmo âmbito, desejam comprometer-se para o bem do Homem e da Sociedade.

Como se alcançam este propósitos? Atingem-se mediante a realização de congressos, e principalmente por meio do empenho pessoal e colectivo em exercer as funções públicas com honestidade e transparência, em oposição ao fenómeno da corrupção, instaurando formas correctas de gestão pública:

  • educação à legalidade: actividades formativas e informativas nas escolas e na sociedade, valorizando a contribuição de experiências e de testemunhos dos agentes da justiça e da administração;
  • Ordem jurídica e administração da Justiça: por meio do empenho dos diversos agentes em vivificar, com o espírito do Movimento dos Focolares, a própria actividade em favor de uma eficaz administração da Justiça que responda à necessidade de defesa dos indivíduos e da colectividade: estudos, pesquisas e congressos para a renovação do direito e da justiça;
  • Prevenção e recuperação social: acções internas nos estabelecimentos prisionais para a reabilitação humana e social dos detidos e para melhorar o funcionamento do sistema prisional. Exemplos disso já ocorreram na Itália, na Nigéria, na República dos Camarões, na Espanha e em muitos outros países, em vários momentos de encontro entre agentes penitenciários, com a presença de voluntários e de psicólogos, de agentes de vigilância e de magistrados, de ex-detidos e de sacerdotes capelões, de directores de prisões e de advogados;
  • Protecção e promoção dos direitos humanos: participação e colaboração com os Organismos Internacionais (ONU e ONG’s) que têm este objectivo, para o estudo dos relativos problemas e para a promoção de iniciativas concretas.

A experiência desenvolvida neste sector levou à constituição do grupo internacional "Comunhão e Direito", cujo objectivo é o aprofundamento doutrinal e o diálogo com as instituições e o mundo académico na área da cultura jurídica.

(Fonte: http://www.focolare.org )

Concluindo: não é utopia querer um mundo mais justo. Se houver mais cooperação, é bem possível atingirem-se os objectivos pretendidos. Depende de mim, de si, de todos nós!

domingo, 11 de março de 2007

A Cultura da Partilha


ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2007.03.11


Enquanto a nível mundial compreende-se a fragilidade
e a não-sustentabilidade do actual sistema económico,
a sociedade civil revela um florescimento
de novas formas de economia social:
comércio justo, finanças éticas, consumo crítico.

Neste panorama situa-se um estilo económico inovador
que envolve indivíduos e grupos:
tempo, talentos, bens materiais que são colocados ao serviço.
A comunhão dos bens é o estilo de vida dos membros dos Focolares.

É uma comunhão espontânea que se expressa
de várias maneiras de acordo com as possibilidades e sensibilidades.
É destinada a ajudar as pessoas mais próximas,
bem como Países em condições difíceis devido
ao subdesenvolvimento e conflitos,
ou atingidos por calamidades naturais,
e também para sustentar iniciativas e obras sociais.

A partilha dos bens foi, desde o início, a expressão espontânea do amor recíproco vivido pela comunidade de Trento [início do Movimento dos Focolares (MdF), fundado por Chiara Lubich], formada por jovens, famílias, pessoas de todas as idades e condições sociais, que se formou durante a Segunda Guerra Mundial. É o resgate duma dimensão típica da primitiva comunidade cristã: “Eram um só coração e uma só alma e não havia necessitados entre eles”.

Esta cultura da partilha gerou e continua hoje a gerar uma intervenção extraordinária que os cristãos chamam de “providência”. É a experiência que as promessas do Evangelho: “Dai e ser-vos-á dado, pedi e obtereis”, se realizam pontualmente. É um estilo de vida que envolve pessoas de todas as idades e categorias, começando pelas crianças.

Amadurece, assim, uma nova consciência social, da partilha dos bens na comunidade social, contribuindo para sanar a crescente diferença entre ricos e pobres e permitindo, pela solidariedade recíproca, um justo acesso de indivíduos e povos aos recursos naturais e ao resultado do trabalho humano.

Trabalha-se com os outros, trabalha-se para os outros, uma nova visão social do trabalho. Este é o aspecto social do trabalho adoptado pelos membros do MdF. Com os outros: cuidando da estratégia da atenção para com todos os componentes do pequeno “mundo vital” do trabalho em que se encontram. O crescimento das relações enriquece a personalidade. Pelos outros. Para os destinatários do próprio trabalho. A pessoa que usará aquele carro, aquele fogão, aqueles sapatos; os anseios contidas no processo burocrático do plano de saúde ou da aposentadoria; a pressa do cliente no balcão; as silenciosas expectativas daquele aluno: é o mais verdadeiro e inestimável valor humano do trabalho.

Uma atenção especial também é dirigida à defesa dos direitos dos trabalhadores, por meio da participação nas organizações sindicais, numa óptica de confronto positivo e não conflituante com os proprietários e executivos, a fim de encontrar soluções equilibradas para as diversas exigências das partes sociais. Os membros do MdF têm uma atenção diligente e um compromisso com os problemas do desemprego, especialmente dos jovens.

Conscientes do valor ético e social do trabalho, os membros do Movimento estão profundamente comprometidos em desenvolver suas actividades com o máximo empenho pessoal e profissional e em construir relacionamentos de colaboração com colegas, clientes, fornecedores, instituições, etc., suscitando, onde é possível, “células de ambiente”, com o objectivo de identificar e propor soluções concretas, à luz da unidade, para os vários problemas que emergem no ambiente de trabalho.

“Hoje não basta dar o nosso supérfluo, é necessário que as empresas coloquem em comum, livremente, os seus lucros”. Diante do drama da miséria que circunda a metrópole brasileira de São Paulo, em 1991 Chiara Lubich lançou a “Economia de Comunhão” (EdC). Actualmente mais de 750 empresas e actividades produtivas, de vários sectores e de diferentes portes, estão inseridas na realização do projecto de uma economia aberta às necessidades dos mais pobres.

(Fonte: http://www.focolare.org ; www.edc-online.org )

Concluindo: Do projecto da EdC floresce uma nova corrente de pensamento económico em estudo por parte de economistas e sociólogos. Um Movimento económico está tomando forma com a elaboração de linhas inovadoras na área da economia e do trabalho.

segunda-feira, 5 de março de 2007

A reciprocidade do Amor




ESTE ARTIGO DE OPINIÃO SAIU NO JORNAL QUOTIDIANO DE PONTA DELGADA, DIÁRIO DOS AÇORES, NO PASSADO DIA 2007.03.04

A reciprocidade do amor
até o ponto de construir a unidade,
coração da espiritualidade dos Focolares,
revela-se como “paradigma de unidade”,
“código” para a transformação do âmbito social,
inserindo a dimensão da comunhão e da fraternidade
no mundo da economia e do trabalho, na política,
na justiça, na saúde, na cultura, na comunicação social, na arte.
Uma contribuição para a globalização da fraternidade
e da solidariedade, uma urgência nos dias de hoje.

Nas próximas semanas, darei a conhecer a espiritualidade da Unidade, defendida por Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares.
A partir dos anos 50, do passado séc. XX, delineou-se o Movimento Humanidade Nova, que deseja contribuir para a realização do testamento de Jesus: “Que todos sejam um”, o Seu projecto de unidade para família humana. Será a expressão do Movimento dos Focolares (MdF) voltada aos problemas sociais: os seus membros representam as diversas categorias sociais e profissões. Este compromisso envolveu também outras ramificações do Movimento dos Focolares: Famílias Novas, Jovens para o Mundo Unido [do qual eu faço parte], Movimento Juvenil pela Unidade, religiosas e religiosos de diferentes congregações que aderem ao Movimento.
A acção pessoal ou colectiva dos membros do MdF leva-os a revitalizar o tecido social, suscitando nos diferentes ambientes, onde dois ou mais vivem o ideal da unidade, células de ambiente, que agem segundo o princípio do amor recíproco. Enfrentam os problemas procurando soluções, a fim de melhorar as condições dos indivíduos e da colectividade. Criam espaços de fraternidade onde floresce uma nova cultura – a cultura da partilha – antídoto para a cultura dominante do ter, superando fragmentações, divisões e conflitos, para caminhar juntos rumo à unidade.
Nos lugares mais sofridos do mundo multiplicam-se obras e acções sociais e de solidariedade internacional: na Irlanda do Norte em repúblicas da antiga Jugoslávia, na África Central, no Líbano, nas favelas do Brasil e nos bairros de periferia nas Filipinas. Com o tempo, este espírito faz com que as acções sociais suscitem a reciprocidade, superando todas as formas de assistência passiva, para valorizar a contribuição activa de cada um na promoção espiritual e social dos indivíduos e da comunidade.
O desenvolvimento desse empenho social suscitou duas ONG’s: a New Humanity, que tem um Estatuto Especial, de âmbito consultivo, junto ao ECOSOC (Economic and Social Council) da ONU; e a AMU – Acção Mundo Unido, activa no campo da solidariedade internacional.
Num abrigo antiaéreo para proteger-se dos bombardeios, Chiara Lubich e suas primeiras companheiras abrem, ao acaso, o Evangelho na página do testamento de Jesus: “que todos sejam um”, intuem que algo universal iria nascer, que alcançaria os confins do mundo provocando um impacto em nível social e cultural. É a redescoberta do Evangelho na perspectiva da unidade, que impulsiona a traduzir o amor ao próximo em factos concretos, voltando-se de modo especial aos mais necessitados. Chiara e suas companheiras percorrem a cidade para conhecer os bairros mais pobres e visitá-los, com a intenção de realizar uma certa justiça social. A aspiração delas era resolver o problema social de Trento, Itália, quando, no início dos anos 40, a devastação dos bombardeamentos provocava ruínas, feridos, mortos, pobreza. A ajuda em dinheiro e géneros de primeira necessidade é acompanhada pela busca de trabalho para os desempregados, de moradia para quem a perdeu, até que se desencadeia espontaneamente uma comunhão de bens entre as pessoas da comunidade que se está formando. Tem início o circuito vital do “dar-receber-dar” quanto mais dão víveres, roupas, remédios, mais eles chegam, com uma abundância inesperada. Comprovam a verdade das palavras “dai e vos será dado: uma medida sacudida e transbordante”. Desde os primórdios surge a convicção de que no Evangelho vivido está contida a mais potente revolução social.
Os trágicos acontecimentos da Hungria, em 1956, com a repressão sangrenta dos ideais de liberdade de um povo, abalam a Europa. Chiara Lubich sente a urgência de levar Deus à sociedade, a fim de que os homens encontrem Nele a fonte da liberdade e da fraternidade. Através das páginas da revista do Movimento, Cidade Nova, lança um apelo: “São necessários autênticos discípulos de Jesus não apenas nos conventos, mas no mundo. Discípulos que o sigam voluntariamente.

(Fonte: http://www.focolare.org ; www.new-humanity.org ; www.azionemondounito.org )
Concluindo: o Amor recíproco, com pequenos gestos, manifesta-se infinitamente.